Gritam aqueles lá
de dentro de uma caverna
no escuro a se alegrar
Você é Louco. Eles
disseram.
De fato, era. Mas não pelos motivos que todas aquelas
pessoas julgavam. Era insano por se jogar do penhasco. Sempre. Medo da queda?
Por qual motivo?
Seu precipício era seu Eu e ao mergulhar tão profundamente
sem pretensões de retorno, tornava-se o Grande Maluco do Desfiladeiro. Sua
última montanha, a qual escalou sem grandes problemas, era bem alta. Até mesmo
para ele. E por que não?
Lançou-se sentindo o vento passando pelo seu rosto e o ar
sumindo de seus pulmões. Jogava-se para a vida enquanto em uníssono todos
bradavam: É A MORTE CERTA.
E qual era a certeza na queda? O fim, claro. Quando com um
baque surdo finalmente chegaria ao chão e ao contrário do que se esperava, não
encontraria seu fim. De forma alguma seria a morte o fim em si: é apenas o
recomeço.
Ouroboros não devora sua cauda na espera de sua própria
destruição e o louco não pula no abismo esperando pela aniquilação de sua vida.
A cada salto uma nova viagem, um novo começo.
Os ventos nunca serão favoráveis àqueles que não levantarem as velas e zarpar..
ResponderExcluir