quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O Louco (Ou Carta 0)

                                       Louco, Louco, Louco
                 Gritam aqueles lá
                                       de dentro de uma caverna
           no escuro a se alegrar


Você é Louco. Eles disseram.

De fato, era. Mas não pelos motivos que todas aquelas pessoas julgavam. Era insano por se jogar do penhasco. Sempre. Medo da queda? Por qual motivo?

Seu precipício era seu Eu e ao mergulhar tão profundamente sem pretensões de retorno, tornava-se o Grande Maluco do Desfiladeiro. Sua última montanha, a qual escalou sem grandes problemas, era bem alta. Até mesmo para ele. E por que não?

Lançou-se sentindo o vento passando pelo seu rosto e o ar sumindo de seus pulmões. Jogava-se para a vida enquanto em uníssono todos bradavam: É A MORTE CERTA.

E qual era a certeza na queda? O fim, claro. Quando com um baque surdo finalmente chegaria ao chão e ao contrário do que se esperava, não encontraria seu fim. De forma alguma seria a morte o fim em si: é apenas o recomeço.

Ouroboros não devora sua cauda na espera de sua própria destruição e o louco não pula no abismo esperando pela aniquilação de sua vida.


A cada salto uma nova viagem, um novo começo.


Um comentário:

  1. Os ventos nunca serão favoráveis àqueles que não levantarem as velas e zarpar..

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