terça-feira, 3 de maio de 2016

A Estrela (Ou Carta XVII)



A torre cai impiedosa. Aqueles que estão dentro são lançados para fora arrebatadoramente e não há mais teto ou parede para se proteger, não há mais bases sólidas para se manter. O destino cármico bate à porta e sem aviso a abre, escancara, destrói. Ficam para trás apenas destroços. 

E nossos jovens heróis, jogados ao tempo e à própria sorte, em total revelia à sua vontade? Sentem a grama fresca sob suas mãos, quando se apoiam e olham para a lua, que paira solene sob suas cabeças. Embora perene e de brilho intenso, a lua cheia não é a única a se mostrar a eles. Sob um céu estrelado, recordam-se de uma estrela em especial que a partir de um local distante, guiou grandes reis magos em uma peregrinação.

E ali está ela novamente, e como em um passe de mágica a lua escurece. Seu desaparecimento traria trevas e caminhos distorcidos, frutos de uma visão pouco acostumada à escuridão. Traria, se não existisse o astro luminoso com outros sete astros brilhantes ao seu redor. Abaixando os olhos, os heróis veem uma figura feminina nua, com um jarro que verte água infinita. Seu olhar, negro como a noite e com pequenos pontos brilhantes, acalenta seus corações e onde havia desespero pela derrocada, transforma-se em plena luz. 

“Sou Pandora, que abre a caixa e liberta a esperança. Sou Héspero, a Estrela Vespertina. Sou Eósfero, A Estrela da Manhã. Sou Astreus, Senhor das Estrelas. Sou a Cura e a Certeza. Sou aquela que derrama as águas da criação sob a terra. Vinde a mim e deixai os destroços daquilo que já não faz parte de vós.” 

Tiraram o elmo. Abandonaram a espada e o escudo. Despiram-se da armadura. Seguiram nus em sua direção.



Um comentário:

  1. Lindo!
    Mestrar para a Gente que é bom nada né?
    Bjos da Cóh.

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